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# COVID-19 em Londres: internações sobem 79% na semana
- URL: https://g7.news/covid-19-londres-internacoes-sobem-79/
- Published: 2026-10-04T21:40:52.000Z
- Updated: 2026-10-04T21:40:52.000Z
- Description: Dados da UKHSA mostram que a taxa de internações por COVID-19 em Londres passou de 0,95 para 1,70 por 100 mil; atividade geral segue em nível baixo.
- Author: Elton Ciatto
- Tags: Saúde, Reino Unido, COVID-19, Londres

As internações por COVID-19 voltaram a subir em Londres, segundo o relatório semanal mais recente da UK Health Security Agency (UKHSA). A taxa de admissões hospitalares na capital inglesa passou de **0,95 para 1,70 por 100 mil habitantes** em uma semana — um avanço de aproximadamente **79%**.

O dado chama atenção pelo ritmo de crescimento, mas precisa ser lido com contexto: a própria UKHSA afirma que a atividade da COVID-19 na Inglaterra continua em **nível baixo**. O aumento ocorre às vésperas dos meses mais frios, quando vírus respiratórios costumam ganhar espaço e a vigilância epidemiológica é intensificada.

Os números constam do [relatório oficial da UKHSA publicado em 24 de setembro de 2026](https://www.gov.uk/government/statistics/national-flu-and-covid-19-surveillance-reports-2026-to-2027-season/national-flu-and-covid-19-surveillance-report-24-september-2026-week-39?ref=g7.news), com dados referentes à semana epidemiológica 38, entre 14 e 20 de setembro.

## Internações aumentaram em Londres e na Inglaterra

Em toda a Inglaterra, a taxa semanal de internações por COVID-19 passou de **0,81 para 1,20 por 100 mil habitantes**, o equivalente a uma alta de cerca de 48%.

Londres apresentou a maior taxa regional do país no período analisado, chegando a 1,70 por 100 mil. Na semana anterior, o indicador estava em 0,95 por 100 mil.

Entre as faixas etárias, o grupo com maior taxa de internação foi o de pessoas com **85 anos ou mais**. Nesse grupo, o indicador subiu de 7,08 para 12,43 por 100 mil habitantes.

A UKHSA ressalta que esses dados são provisórios e podem ser revisados posteriormente. O sistema usado para acompanhar internações reúne informações de hospitais do NHS e é atualizado à medida que novos registros são consolidados.

## COVID-19 segue em nível baixo, apesar da alta

O relatório oficial não descreve o cenário como uma nova emergência sanitária. Pelo contrário: a classificação geral da atividade de COVID-19 permanece baixa.

Além das internações, a UKHSA observou aumento da positividade de testes de PCR realizados em ambiente hospitalar. A taxa móvel de sete dias chegou a 7%, ante 5,9% na semana anterior. Nos testes sentinela feitos em unidades de atenção primária, a positividade ficou em 7,9%, comparada a 7,5% na semana anterior.

Atendimentos de emergência por quadros semelhantes à COVID-19 também aumentaram, enquanto outras infecções respiratórias, como influenza e rinovírus, apresentaram crescimento em diferentes indicadores.

## O que se sabe sobre a variante XFG, chamada de Stratus

O avanço recente também trouxe de volta a atenção para a família de linhagens XFG, frequentemente chamada de **Stratus** na imprensa.

No período analisado pela vigilância genômica da UKHSA, entre 17 e 30 de agosto, diferentes sublinhagens da família XFG respondiam juntas por uma parcela relevante das amostras sequenciadas. A XFG.23.1.3 representava 46,2%, a XFG.14.8 respondia por 12,8% e a linhagem XFG por outros 5,1%.

Somadas, essas três classificações correspondiam a cerca de 64% das amostras sequenciadas naquele recorte. A UKHSA, porém, alerta que o número de sequenciamentos é baixo e que as estimativas mais recentes devem ser interpretadas com cautela.

Também é importante não confundir maior circulação com maior gravidade. Em uma explicação atualizada sobre as variantes em circulação, a [UKHSA afirma que os dados disponíveis não indicam que XFG cause doença mais grave](https://ukhsa.blog.gov.uk/2025/09/25/should-we-be-worried-about-the-current-covid-19-variants/?ref=g7.news) do que outras variantes atualmente em circulação.

## A variante é responsável pelo aumento das internações?

Ainda não é possível afirmar isso apenas com os dados disponíveis. A presença de uma linhagem em grande parte das amostras sequenciadas mostra que ela está circulando, mas não prova que seja a única causa do aumento das internações.

O comportamento da COVID-19 é influenciado por diversos fatores, como nível de imunidade da população, exposição ao vírus, comportamento social, idade dos infectados e circulação simultânea de outros vírus respiratórios.

Por isso, a leitura mais adequada é que há um **aumento recente de atividade**, especialmente visível nas hospitalizações, enquanto a vigilância continua acompanhando a evolução das variantes.

## O que muda com a chegada do outono e do inverno

O aumento ocorre justamente no início do período em que o Reino Unido passa a concentrar maior atenção em doenças respiratórias. Temperaturas mais baixas levam as pessoas a permanecer mais tempo em ambientes fechados, o que pode facilitar a transmissão de diferentes vírus.

A UKHSA acompanha simultaneamente COVID-19, influenza, vírus sincicial respiratório (RSV), rinovírus e outros agentes respiratórios. No relatório mais recente, a influenza também apresentou crescimento, embora ainda em níveis considerados de base.

Esse acompanhamento semanal é especialmente importante para hospitais, serviços de emergência e grupos mais vulneráveis, pois permite identificar mudanças antes que elas se transformem em pressão significativa sobre o sistema de saúde.

O G7 também acompanha outros alertas sanitários e de saúde pública. Recentemente explicamos a vigilância sobre a chamada [gripe K](https://g7.news/oms-emite-alerta-global-sobre-avanco-da-chamada-gripe-k-e-reforca-vigilancia-internacional/) e a avaliação internacional sobre o [vírus Nipah](https://g7.news/oms-diz-que-risco-de-propagacao-do-virus-nipah-e-baixo-apos-surto-na-india/).

## Os números indicam retorno ao cenário da pandemia?

Não. Os dados atuais mostram aumento de alguns indicadores, mas estão muito distantes do cenário observado nos períodos mais críticos da pandemia.

A própria UKHSA descreve a circulação atual como baixa. O objetivo da vigilância é justamente detectar mudanças de tendência e permitir que serviços de saúde se preparem caso a pressão aumente.

Também não há, neste momento, evidência oficial de que a variante XFG esteja associada a quadros mais graves. A atenção maior se concentra na tendência de alta e nos grupos que historicamente apresentam maior risco de hospitalização.

## Por que o aumento de 79% precisa de contexto

Percentuais podem parecer muito altos quando o ponto de partida é pequeno. Em Londres, o salto de 0,95 para 1,70 internação por 100 mil habitantes representa de fato uma alta próxima de 79%, mas a taxa absoluta continua baixa.

Esse contexto é importante para evitar duas interpretações equivocadas: minimizar completamente a alta ou tratá-la como sinal de uma nova crise comparável aos primeiros anos da pandemia.

O cenário atual exige acompanhamento, não alarmismo. As próximas semanas mostrarão se a elevação foi pontual ou se fará parte de uma tendência mais prolongada durante o outono e o inverno britânicos.

## Resumo do cenário

- Londres registrou alta de aproximadamente 79% na taxa semanal de internações por COVID-19, de 0,95 para 1,70 por 100 mil habitantes.
- Na Inglaterra, a taxa aumentou cerca de 48%, de 0,81 para 1,20 por 100 mil.
- Pessoas com 85 anos ou mais continuam apresentando as maiores taxas de internação.
- A UKHSA classifica a atividade geral da COVID-19 como baixa.
- Sublinhagens da família XFG, conhecida como Stratus na imprensa, aparecem com frequência relevante no sequenciamento.
- Não há evidência atual de que XFG cause doença mais grave do que outras variantes em circulação.

## Perguntas frequentes

### A COVID-19 está aumentando no Reino Unido?

Alguns indicadores recentes aumentaram, incluindo internações hospitalares e positividade em determinados sistemas de vigilância. Mesmo assim, a UKHSA ainda classifica a atividade geral na Inglaterra como baixa.

### As internações realmente subiram 79% em Londres?

Sim. A taxa passou de 0,95 para 1,70 por 100 mil habitantes entre duas semanas consecutivas, uma variação de aproximadamente 79%.

### A variante Stratus é mais perigosa?

Até o momento, os dados citados pela UKHSA não indicam que a XFG, conhecida informalmente como Stratus, provoque doença mais grave do que outras variantes em circulação.

### Esse aumento significa uma nova pandemia?

Não. Os dados indicam uma alta recente em alguns indicadores, mas a atividade permanece em nível baixo e não há anúncio oficial de nova emergência sanitária.

*Imagem: Anastasiia Chepinska / Unsplash.*