E-mails de 2017 revelam diálogo entre Jeffrey Epstein e Bill Gates sobre saúde e simulações de pandemia
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E-mails de 2017 revelam propostas de Epstein a Bill Gates sobre dados de saúde, neurotecnologia e simulações de pandemia.
Documentos que vieram a público recentemente mostram que Jeffrey Epstein manteve contato direto com Bill Gates em março de 2017, discutindo temas ligados a tecnologia, saúde e estudos estratégicos. O material inclui uma troca de e-mails em que Epstein sugere possíveis entregas e relatórios para a bgc3, empresa de investimentos associada ao cofundador da Microsoft.
As mensagens chamam atenção não apenas pelo conteúdo, mas também pelo contexto: Epstein, que posteriormente se tornaria um dos nomes mais associados a escândalos e crimes sexuais, aparece dialogando com um dos empresários e filantropos mais influentes do planeta sobre áreas sensíveis e de grande impacto global.

Propostas envolviam dados de saúde e criptografia avançada
Entre as sugestões apresentadas por Epstein está o desenvolvimento de um sistema digital para armazenamento de informações médicas, com base em um conceito chamado “prova de conhecimento zero” (zero-knowledge proof).
Esse tipo de tecnologia criptográfica permite validar dados sem que seja necessário revelar o conteúdo original, o que, na prática, poderia viabilizar um sistema de saúde digital mais seguro — pelo menos em tese — ao permitir a confirmação de informações sem expor prontuários completos ou detalhes sensíveis.
A proposta aparece como um dos pontos centrais do e-mail, indicando interesse em ferramentas que combinem saúde pública e segurança da informação, um tema que ganhou ainda mais relevância nos anos seguintes, com o aumento de ataques digitais e vazamentos de dados em instituições de saúde.
Neurotecnologia, doenças degenerativas e uso militar
Além da pauta de saúde, os e-mails também citam a possibilidade de elaboração de estudos e relatórios sobre neurotecnologia, incluindo:
- Doenças degenerativas e formas de monitoramento
- Aplicações de tecnologias neurais
- Possíveis usos estratégicos em áreas militares
- Potencial interesse dos setores de inteligência e defesa
A neurotecnologia é uma área em rápida expansão e envolve desde interfaces cérebro-computador até técnicas de mapeamento e monitoramento neurológico. A inclusão de aplicações militares e de inteligência, no entanto, torna o tema ainda mais delicado, já que esse tipo de desenvolvimento pode levantar discussões éticas e de privacidade.
Simulações de pandemia e planejamento estratégico
Outro ponto que aparece na troca de mensagens é a sugestão de relatórios e simulações voltadas a cenários de pandemia, algo que se tornaria um dos assuntos mais discutidos do planeta poucos anos depois, com a Covid-19.
Nos e-mails, Epstein cita a possibilidade de estudos que envolvam projeções, impactos e planejamento, conectando saúde pública com análise estratégica — uma combinação comum em centros de pesquisa, empresas e governos que trabalham com gestão de risco.
Contato com Epstein reacende críticas e questionamentos
Mesmo assim, o fato de Epstein ter mantido contato com Gates, especialmente discutindo temas sensíveis e de impacto global, reacende questionamentos e alimenta debates públicos.
Críticos apontam que a relação, mesmo que limitada a trocas de mensagens e reuniões, é politicamente e moralmente problemática, considerando o histórico de Epstein e as acusações graves que envolvem seu nome.
Por outro lado, defensores de Gates costumam argumentar que encontros com figuras controversas ocorreram em diversos ambientes de negócios e filantropia, e que isso não necessariamente implica participação em crimes ou apoio a práticas ilegais.
O conteúdo dos e-mails indica principalmente que Epstein tentava se posicionar como um intermediário influente, oferecendo ideias e projetos ligados a áreas estratégicas. A menção à bgc3 sugere que o contato envolvia um contexto empresarial e de investimentos, além da tradicional pauta filantrópica que costuma ser associada a Gates.
Apesar disso, a divulgação do material adiciona mais um capítulo ao debate sobre como grandes figuras do poder econômico e tecnológico se relacionam nos bastidores — e como essas conexões podem ter impacto na percepção pública, mesmo quando não há prova direta de irregularidades no conteúdo discutido.
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