Escudo de Chernobyl perde poder de contenção: ONU acende alerta global
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IAEA alerta que cobertura da Usina de Chernobyl não garante mais confinamento de radiação após ataque, exigindo reparos urgentes e monitoramento constante.
O que Aconteceu ? o colapso da “bolha protetora” de Chernobyl
Uma inspeção recente da International Atomic Energy Agency (IAEA), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pela fiscalização nuclear internacional, constatou que o escudo protetor da Usina de Chernobyl — conhecido como New Safe Confinement (NSC) — perdeu suas principais funções de contenção de radiação.
O dano ocorre em consequência de um ataque de drone registrado em fevereiro de 2025, durante o atual conflito entre Rússia e Ucrânia. A estrutura de aço, erguida para cobrir o reator destruído em 1986, alvo do pior desastre nuclear da história, sofreu comprometimento em seu revestimento externo, o que abriu brechas que comprometem sua capacidade de vedação.

Embora a missão de inspeção indique que não houve dano irreversível às estruturas de carga nem aos sistemas de monitoramento, a perda da função de contenção representa um risco real. A IAEA informou que a “capacidade primária de segurança” foi comprometida e que somente reparos completos poderão restaurar a proteção.
O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, declarou que a restauração total da estrutura é “essencial para a segurança nuclear de longo prazo” — e alertou para a urgência dos trabalhos antes que mais degradações comprometam ainda mais a contenção.
Por que o impacto é grave — e o que realmente mudou
• Quebra da garantia de isolamento
Desde 2019, quando o NSC foi concluído, a estrutura era considerada um escudo protetor duradouro capaz de manter confinado o material radioativo remanescente do reator 4. Com a perda dessa função, o risco de vazamentos em eventual nova deterioração aumenta significativamente.
• Guerra e instabilidade agravam a vulnerabilidade
O ataque por drone comprova como zonas de conflito aumentam o risco não apenas de destruição militar, mas de desastres ambientais e nucleares. A usina já foi ocupada em 2022 e, desde então, permanece sob tensão constante.
• Reparos urgentes e desafios logísticos
A IAEA informou que somente reparos temporários foram feitos, especialmente no telhado e que será necessária uma reabilitação ampla, com controle de umidade, monitoramento da corrosão e atualização dos sistemas de vigilância. A proposta é que a reconstrução total ocorra em 2026, com apoio de instituições internacionais como o European Bank for Reconstruction and Development (BERD).
Consequências para a Ucrânia, Europa e o Mundo
A falha da contenção nuclear em Chernobyl não interessa apenas à Ucrânia. A localização da usina e os ventos predominantes podem, em caso de vazamento, repercutir sobre grandes áreas da Europa Oriental e além — propagando contaminação e aumentando risco sanitário e ambiental internacional.
Além disso, a notícia reacende o trauma histórico de 1986, quando a explosão liberou grande quantidade de radiação, obrigando evacuação em massa e deixando legado de doenças, mortes e impacto ambiental que perdura até hoje.
Para a comunidade internacional, o caso demonstra a fragilidade de escudos nucleares em cenários de guerra — e a urgência de proteger e desarmar arsenais que colocam em risco a segurança global.

O que dizem Especialistas e o apelo da IAEA
A IAEA foi enfática: apesar do nível de radiação medido até agora continuar “normal e estável”, a perda da função de confinamento do NSC representa uma ameaça de longo prazo. Mesmo sem vazamentos imediatos, a simples deterioração pode levar a contaminações futuras.
O apelo agora é por reparos estruturais urgentes, vigilância constante e proteção reforçada dos locais nucleares no contexto do conflito, para evitar que erros, ataques ou negligência provoquem uma nova catástrofe.
Por fim, o alerta dado pela IAEA sobre a perda da capacidade de contenção do escudo de Chernobyl é um sinal de que o pior não pode ser descartado. A destruição causada por um drone expôs a fragilidade de mesmo estruturas consideradas seguras e reacende o temor global de um desastre nuclear.
A reconstrução da proteção é urgente, mas em meio a um conflito ainda em curso, o risco permanece. A comunidade internacional precisa acompanhar de perto a restauração da segurança e reforçar mecanismos de proteção a locais nucleares.
Chernobyl não é “só uma lembrança do passado”, continua sendo uma área vulnerável, cujas consequências de um novo vazamento ultrapassam fronteiras. A vigilância global e o respeito à norma internacional de proteção nuclear devem estar acima de disputas políticas e militares.
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