OMS diz que risco de propagação do vírus Nipah é baixo após surto na Índia

OMS diz que risco de propagação do vírus Nipah é baixo após surto na Índia

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OMS diz que risco de propagação do vírus Nipah é baixo e lembra diferenças importantes em relação à covid-19.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou sua avaliação sobre o vírus Nipah depois que dois casos foram confirmados no estado de Bengala Ocidental, na Índia. Embora o patógeno possa causar doenças graves, a entidade reafirmou nesta semana que o risco de disseminação nacional, regional e global permanece baixo, e que não há necessidade de restrições a viagens ou ao comércio neste momento.

Os casos detectados na Índia envolveram dois profissionais de saúde em um hospital local. Ambos foram hospitalizados e estão sendo tratados, com um paciente em recuperação. Autoridades indianas rastrearam e monitoraram de perto as pessoas que tiveram contato com os infectados, e até agora nenhum novo caso foi identificado entre os mais de 190 contatos.

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O que é o vírus Nipah e por que preocupa

O vírus Nipah é um agente zoonótico transmitido principalmente por morcegos frugívoros ou, em alguns surtos, por meio de alimentos contaminados ou contato próximo com pessoas ou animais infectados. Ele foi identificado pela primeira vez na Malásia em 1999 e, desde então, ocasionou surtos esporádicos em várias regiões da Ásia, incluindo Bangladesh e partes da Índia.

Embora não seja novo, o Nipah chama atenção porque pode causar doença grave com alta taxa de mortalidade, incluindo febre, dor de cabeça intensa e inflamação cerebral (encefalite). Além disso, não existe atualmente uma vacina ou tratamento específico aprovado, o que torna a vigilância e os protocolos de contenção ainda mais importantes.

Transmissão e comparação com a covid-19

Apesar de nomes e preocupações sobre possíveis surtos, especialistas apontam que há diferenças fundamentais entre o Nipah e o coronavírus SARS-CoV-2, causador da covid-19. A transmissão de pessoa para pessoa do Nipah é muito menos eficiente e costuma ocorrer apenas após contato direto e prolongado com fluidos corporais ou ambientes contaminados, ao contrário da covid-19, que se espalha facilmente pelo ar através de gotículas e partículas suspensas.

Outro fator que limita a propagação do Nipah é justamente sua alta letalidade: muitos pacientes desenvolvem rapidamente sintomas graves, o que reduz a janela em que podem transmitir o vírus a outras pessoas. Esse padrão epidemiológico sobre transmissibilidade e letalidade torna menos provável — com base nas evidências atuais — que o Nipah se espalhe amplamente sem intervenção eficaz de saúde pública.

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OMS reafirma baixa probabilidade de pandemia

De acordo com a OMS, a Índia já demonstrou capacidade de gerenciar surtos de Nipah em eventos anteriores, implementando medidas eficazes de rastreamento de contatos, vigilância e contenção. A entidade destacou que, apesar da presença natural de morcegos que carregam o vírus em algumas regiões, não há sinais de aumento da transmissão humana ou de mutações que possam tornar o vírus mais transmissível neste momento.

Por isso, a OMS não recomenda medidas como restrições de viagens ou barreiras comerciais, posicionando-se de forma diferente do início da pandemia de covid-19, quando muitas fronteiras foram fechadas enquanto os cientistas aprendiam sobre o novo vírus.

Países adotam medidas de precaução

Apesar da avaliação global relativamente tranquila, alguns países na Ásia reagiram com medidas cautelares, como a reintrodução de triagens de saúde em aeroportos para passageiros vindos da Índia. Tais ações incluem verificações de temperatura e declarações de saúde, práticas que lembram protocolos usados na pandemia de covid-19, ainda que especialistas alertem que essas verificações têm valor limitado para doenças raras como o Nipah.

Autoridades de saúde em lugares como Hong Kong, Tailândia, Malásia, Singapura e Vietnã intensificaram a vigilância, especialmente em áreas de fronteira ou em rotas de grande circulação de viajantes internacionais.

Especialistas em doenças infecciosas ressaltam que a resposta ao surto inclui rastreio de contatos, isolamento de casos suspeitos, protocolos de proteção para profissionais de saúde e vigilância epidemiológica rigorosa. Embora a possibilidade de espalhar-se internacionalmente seja considerada baixa atualmente, autoridades continuam monitorando de perto a situação devido ao histórico do vírus de ressurgir em diferentes áreas.

Ainda que eventos como este chamem atenção por causa das lembranças da pandemia de covid-19, a comunidade científica destaca que as condições e os mecanismos de transmissão de cada vírus são distintos, e que a resposta da OMS se baseia nas evidências disponíveis, que apontam para um risco controlado no cenário atual.

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