COVID-19 em Londres: internações sobem 79% na semana

Dados da UKHSA mostram que a taxa de internações por COVID-19 em Londres passou de 0,95 para 1,70 por 100 mil; atividade geral segue em nível baixo.

COVID-19 em Londres: internações sobem 79% na semana
Foto: Anastasiia Chepinska / Unsplash.

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As internações por COVID-19 voltaram a subir em Londres, segundo o relatório semanal mais recente da UK Health Security Agency (UKHSA). A taxa de admissões hospitalares na capital inglesa passou de 0,95 para 1,70 por 100 mil habitantes em uma semana — um avanço de aproximadamente 79%.

O dado chama atenção pelo ritmo de crescimento, mas precisa ser lido com contexto: a própria UKHSA afirma que a atividade da COVID-19 na Inglaterra continua em nível baixo. O aumento ocorre às vésperas dos meses mais frios, quando vírus respiratórios costumam ganhar espaço e a vigilância epidemiológica é intensificada.

Os números constam do relatório oficial da UKHSA publicado em 24 de setembro de 2026, com dados referentes à semana epidemiológica 38, entre 14 e 20 de setembro.

Internações aumentaram em Londres e na Inglaterra

Em toda a Inglaterra, a taxa semanal de internações por COVID-19 passou de 0,81 para 1,20 por 100 mil habitantes, o equivalente a uma alta de cerca de 48%.

Londres apresentou a maior taxa regional do país no período analisado, chegando a 1,70 por 100 mil. Na semana anterior, o indicador estava em 0,95 por 100 mil.

Entre as faixas etárias, o grupo com maior taxa de internação foi o de pessoas com 85 anos ou mais. Nesse grupo, o indicador subiu de 7,08 para 12,43 por 100 mil habitantes.

A UKHSA ressalta que esses dados são provisórios e podem ser revisados posteriormente. O sistema usado para acompanhar internações reúne informações de hospitais do NHS e é atualizado à medida que novos registros são consolidados.

COVID-19 segue em nível baixo, apesar da alta

O relatório oficial não descreve o cenário como uma nova emergência sanitária. Pelo contrário: a classificação geral da atividade de COVID-19 permanece baixa.

Além das internações, a UKHSA observou aumento da positividade de testes de PCR realizados em ambiente hospitalar. A taxa móvel de sete dias chegou a 7%, ante 5,9% na semana anterior. Nos testes sentinela feitos em unidades de atenção primária, a positividade ficou em 7,9%, comparada a 7,5% na semana anterior.

Atendimentos de emergência por quadros semelhantes à COVID-19 também aumentaram, enquanto outras infecções respiratórias, como influenza e rinovírus, apresentaram crescimento em diferentes indicadores.

O que se sabe sobre a variante XFG, chamada de Stratus

O avanço recente também trouxe de volta a atenção para a família de linhagens XFG, frequentemente chamada de Stratus na imprensa.

No período analisado pela vigilância genômica da UKHSA, entre 17 e 30 de agosto, diferentes sublinhagens da família XFG respondiam juntas por uma parcela relevante das amostras sequenciadas. A XFG.23.1.3 representava 46,2%, a XFG.14.8 respondia por 12,8% e a linhagem XFG por outros 5,1%.

Somadas, essas três classificações correspondiam a cerca de 64% das amostras sequenciadas naquele recorte. A UKHSA, porém, alerta que o número de sequenciamentos é baixo e que as estimativas mais recentes devem ser interpretadas com cautela.

Também é importante não confundir maior circulação com maior gravidade. Em uma explicação atualizada sobre as variantes em circulação, a UKHSA afirma que os dados disponíveis não indicam que XFG cause doença mais grave do que outras variantes atualmente em circulação.

A variante é responsável pelo aumento das internações?

Ainda não é possível afirmar isso apenas com os dados disponíveis. A presença de uma linhagem em grande parte das amostras sequenciadas mostra que ela está circulando, mas não prova que seja a única causa do aumento das internações.

O comportamento da COVID-19 é influenciado por diversos fatores, como nível de imunidade da população, exposição ao vírus, comportamento social, idade dos infectados e circulação simultânea de outros vírus respiratórios.

Por isso, a leitura mais adequada é que há um aumento recente de atividade, especialmente visível nas hospitalizações, enquanto a vigilância continua acompanhando a evolução das variantes.

O que muda com a chegada do outono e do inverno

O aumento ocorre justamente no início do período em que o Reino Unido passa a concentrar maior atenção em doenças respiratórias. Temperaturas mais baixas levam as pessoas a permanecer mais tempo em ambientes fechados, o que pode facilitar a transmissão de diferentes vírus.

A UKHSA acompanha simultaneamente COVID-19, influenza, vírus sincicial respiratório (RSV), rinovírus e outros agentes respiratórios. No relatório mais recente, a influenza também apresentou crescimento, embora ainda em níveis considerados de base.

Esse acompanhamento semanal é especialmente importante para hospitais, serviços de emergência e grupos mais vulneráveis, pois permite identificar mudanças antes que elas se transformem em pressão significativa sobre o sistema de saúde.

O G7 também acompanha outros alertas sanitários e de saúde pública. Recentemente explicamos a vigilância sobre a chamada gripe K e a avaliação internacional sobre o vírus Nipah.

Os números indicam retorno ao cenário da pandemia?

Não. Os dados atuais mostram aumento de alguns indicadores, mas estão muito distantes do cenário observado nos períodos mais críticos da pandemia.

A própria UKHSA descreve a circulação atual como baixa. O objetivo da vigilância é justamente detectar mudanças de tendência e permitir que serviços de saúde se preparem caso a pressão aumente.

Também não há, neste momento, evidência oficial de que a variante XFG esteja associada a quadros mais graves. A atenção maior se concentra na tendência de alta e nos grupos que historicamente apresentam maior risco de hospitalização.

Por que o aumento de 79% precisa de contexto

Percentuais podem parecer muito altos quando o ponto de partida é pequeno. Em Londres, o salto de 0,95 para 1,70 internação por 100 mil habitantes representa de fato uma alta próxima de 79%, mas a taxa absoluta continua baixa.

Esse contexto é importante para evitar duas interpretações equivocadas: minimizar completamente a alta ou tratá-la como sinal de uma nova crise comparável aos primeiros anos da pandemia.

O cenário atual exige acompanhamento, não alarmismo. As próximas semanas mostrarão se a elevação foi pontual ou se fará parte de uma tendência mais prolongada durante o outono e o inverno britânicos.

Resumo do cenário

  • Londres registrou alta de aproximadamente 79% na taxa semanal de internações por COVID-19, de 0,95 para 1,70 por 100 mil habitantes.
  • Na Inglaterra, a taxa aumentou cerca de 48%, de 0,81 para 1,20 por 100 mil.
  • Pessoas com 85 anos ou mais continuam apresentando as maiores taxas de internação.
  • A UKHSA classifica a atividade geral da COVID-19 como baixa.
  • Sublinhagens da família XFG, conhecida como Stratus na imprensa, aparecem com frequência relevante no sequenciamento.
  • Não há evidência atual de que XFG cause doença mais grave do que outras variantes em circulação.

Perguntas frequentes

A COVID-19 está aumentando no Reino Unido?

Alguns indicadores recentes aumentaram, incluindo internações hospitalares e positividade em determinados sistemas de vigilância. Mesmo assim, a UKHSA ainda classifica a atividade geral na Inglaterra como baixa.

As internações realmente subiram 79% em Londres?

Sim. A taxa passou de 0,95 para 1,70 por 100 mil habitantes entre duas semanas consecutivas, uma variação de aproximadamente 79%.

A variante Stratus é mais perigosa?

Até o momento, os dados citados pela UKHSA não indicam que a XFG, conhecida informalmente como Stratus, provoque doença mais grave do que outras variantes em circulação.

Esse aumento significa uma nova pandemia?

Não. Os dados indicam uma alta recente em alguns indicadores, mas a atividade permanece em nível baixo e não há anúncio oficial de nova emergência sanitária.

Imagem: Anastasiia Chepinska / Unsplash.

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