Relatório da PF cita ministro Toffoli no caso Banco Master e ele se manifesta
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Relatório da Polícia Federal cita ministro Dias Toffoli em celular de Daniel Vorcaro e abre questionamentos sobre sua atuação no STF.
A Polícia Federal (PF) encontrou menções ao ministro Dias Toffoli — do Supremo Tribunal Federal (STF) — no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em um relatório que gerou novos desdobramentos no caso que investiga fraudes e irregularidades na instituição financeira.
O material foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e provocou uma série de reações políticas e institucionais, incluindo pedidos de esclarecimento e questionamentos sobre possível suspeição de Toffoli na condução do processo.

Achado da PF no celular de Vorcaro
Após perícia no aparelho telefônico de Vorcaro — alvo da investigação que culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025 — a Polícia Federal identificou diversas menções ao nome de Dias Toffoli nas mensagens e arquivos.
Com base nessas citações, a PF solicitou ao presidente do STF que analise a possibilidade de arguir a suspeição do ministro como relator do caso. A ideia é que, se houver conflito de interesses, Toffoli poderia ser declarado impedido de continuar na relatoria. No entanto, a formalização desse tipo de pedido depende agora do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.
Toffoli nega irregularidades e rebate acusações
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli classificou as alegações como “ilação” e afirmou que a PF não tem legitimidade para pedir sua suspeição direta, uma vez que isso cabe apenas à parte interessada no processo. O ministro também declarou que “apresentará resposta ao presidente do STF sobre o conteúdo do relatório”.
Em manifestação divulgada posteriormente, Toffoli reafirmou que “jamais recebeu qualquer valor” de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel, e negou ter tido qualquer relação próxima ou de amizade com o banqueiro investigado.
O ministro também admitiu ser sócio de uma empresa familiar — a Maridt Participações S.A. — que chegou a ter participação em um resort cujo controle foi transferido para fundos ligados a Vorcaro, mas destacou que essa participação havia sido encerrada antes de assumir a relatoria do caso no STF.
Tensão institucional e políticos reagem
A menção de Toffoli nas mensagens extraídas do celular reacendeu debates políticos sobre a neutralidade do julgamento e a independência do Judiciário em um processo de grande repercussão. Parlamentares e analistas destacam que, mesmo que as citações não indiquem diretamente irregularidade, elas podem comprometer a percepção de imparcialidade do relator.
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), por exemplo, afirmou estar redigindo um pedido de impeachment contra Toffoli, argumentando que “é impossível assistir ao suposto envolvimento sem que se tomem providências”.
Entenda o contexto do caso Banco Master
O Banco Master foi alvo de uma série de investigações que identificaram supostas fraudes financeiras, aumento artificial de balanço e risco de liquidez, o que levou o Banco Central a determinar sua liquidação extrajudicial em novembro de 2025.
Vorcaro, que também controlava o Will Bank — braço digital do grupo — enfrenta acusações envolvendo práticas questionáveis de oferta de produtos financeiros e combinação de pagamentos, e segue sob investigação, com uso de tornozeleira eletrônica.
No decorrer da apuração, a própria atuação de Toffoli no processo tem sido alvo de críticas, incluindo decisões específicas relacionadas à forma como provas e diligências foram conduzidas.
Com o relatório em mãos, o presidente do STF, Edson Fachin, deverá avaliar se há fundamentos para declarar a suspeição de Toffoli e, se for o caso, determinar que outro ministro assuma a relatoria do processo. Toffoli já foi notificado e poderá apresentar sua resposta oficial em juízo.
Paralelamente, o episódio tende a alimentar um maior escrutínio público e político sobre o caso Banco Master, que se manteve sob sigilo e movimentou importantes instituições do Judiciário e dos reguladores do sistema financeiro brasileiro.
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