A sucessão na Coreia do Norte: Kim Jong-un prepara a filha para o poder

A sucessão na Coreia do Norte: Kim Jong-un prepara a filha para o poder
Kim Jong-un

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Kim Ju-ae, filha de Kim Jong-un, está sendo posicionada como sucessora no comando da Coreia do Norte, segundo serviço de inteligência da Coreia do Sul.

A liderança da Coreia do Norte pode estar se aproximando de uma das transições mais importantes em décadas. Relatórios recentes divulgados por legisladores sul-coreanos indicam que o atual ditador norte-coreano, Kim Jong-un, está avançando passos concretos para preparar sua filha, Kim Ju-ae, como sua sucessora — um movimento que sinaliza a intenção de perpetuar a dinastia familiar no comando do regime.

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Quem é Kim Ju-ae?

Kim Ju-ae é a filha mais nova de Kim Jong-un e acredita-se que esteja no início da adolescência — por volta dos 12 ou 13 anos de idade. Embora a mídia estatal norte-coreana nunca tenha divulgado oficialmente seu nome, agências de inteligência sul-coreanas baseiam-se em análises e relatos externos para identificá-la como a possível herdeira do controle político do país.

Ao longo dos últimos anos, Ju-ae tem aparecido com frequência crescente ao lado de seu pai em eventos oficiais e inspeções de projetos de armamento, incluindo visitas a instalações militares e industriais. Esse aumento de visibilidade público-oficial alimenta a percepção de que ela está sendo preparada para assumir a liderança da “quarta geração” da dinastia Kim, que vem governando a Coreia do Norte desde sua fundação.

Kim Ju-ae

O que dizem os serviços de inteligência sul-coreanos

A Agência Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) informou legisladores que o status de Kim Ju-ae mudou: de alguém considerada “em treinamento para sucessão”, passou à fase de designação de sucessora em potencial.

Esse aparente progresso no processo de sucessão é indicado por vários fatores:

  • Sua presença em cerimônias importantes, como a comemoração do Dia das Forças Armadas e visitas simbólicas a locais históricos-políticos, como o Kumsusan Palace of the Sun (o mausoléu dos líderes anteriores da Coreia do Norte).
  • A crescente participação em eventos militares, políticos e públicos com figuras de destaque do regime — algo que até recentemente era incomum para alguém tão jovem.
  • Relatos de que Ju-ae teria começado a emitir opiniões sobre políticas de estado durante certas inspeções técnicas e eventos oficiais, um sinal de que sua função pode não ser meramente simbólica.

Os espiões sul-coreanos também devem observar de perto se Ju-ae comparecerá ao próximo congresso do Partido dos Trabalhadores, marcado para este mês, pois isso pode confirmar ainda mais sua posição como sucessora e revelar se ela receberá um título oficial no regime.

O simbolismo de uma herdeira adolescente

A possível preparação de Kim Ju-ae para liderança representa algo raro em regimes autoritários modernos: a perspectiva de continuidade hereditária quase que diretamente de pai para filha em um Estado altamente militarizado e tradicionalmente dominado por homens. Embora a dinastia Kim já tenha passado o poder de pai para filho em duas gerações anteriores (de Kim Il-sung a Kim Jong-il, e deste a Kim Jong-un), a ascensão de Ju-ae — ainda muito jovem — reforça o caráter familiar e rígido da estrutura política norte-coreana.

Historicamente, a sucessão foi um dos principais pilares de legitimidade no regime norte-coreano: manter a liderança dentro da família Kim tem sido uma forma de reforçar a continuidade ideológica e o controle absoluto sobre as instituições e sobre a população.

Impactos geopolíticos potenciais

A designação de uma sucessora tão jovem poderia ter diversas implicações internacionais:

  • Relações com aliados e rivais: A percepção externa de uma transição planejada pode afetar a forma como países como China, Rússia, Estados Unidos e Coreia do Sul calibram suas políticas em relação a Pyongyang.
  • Estabilidade interna: Internamente, a promoção clara de Ju-ae pode ser usada como elemento de coesão ideológica, mas também pode gerar pressões internas nos círculos de poder que tradicionalmente dominam as instituições do Estado norte-coreano.
  • Percepção externa: A comunidade internacional tende a interpretar essas mudanças como fatores que podem influenciar negociações sobre segurança regional, desarmamento nuclear e direitos humanos.

Desafios e incertezas

Apesar das indicações da inteligência sul-coreana, ainda não houve declaração oficial por parte do regime norte-coreano confirmando que Kim Ju-ae será formalmente nomeada sucessora de Kim Jong-un. A propaganda estatal frequentemente utiliza imagens e títulos simbólicos, sem revelar detalhes concretos de nomeações políticas.

Além disso, analistas apontam que a transição de poder em um regime tão fechado ainda envolve muitas incógnitas, e o papel de outros membros da elite política — como a influente tia de Ju-ae, Kim Yo-jong — pode ser crucial.

A possível ascensão de Kim Ju-ae ao centro do poder na Coreia do Norte, conforme indicado pelas agências de inteligência sul-coreanas, marca um capítulo fascinante na história de um dos regimes mais isolados e rígidos do mundo. Se confirmada, essa transição representaria a continuidade da dinastia Kim em sua quarta geração, com implicações internas e externas significativas.

Continua a ser observada com atenção por governos e analistas em todo o mundo — tanto pelo simbolismo político quanto pelas potenciais ramificações estratégicas dessa sucessão.

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